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Economia

Mercado e governo reagem à alta do dólar

Autor: Redação Diário da Manhã
Mercado e governo reagem à alta do dólar
Foto: Caetano Barreto/DM

Com a moeda americana em cotação mais alta dos últimos dois anos, empresas e indústrias procuram alternativas para não aumentarem custos. Economistas projetam impacto do cenário político brasileiro na variação

Alessandro Tavares

Caetano Barreto

O preço do dólar tem preocupado o mercado. Mesmo após intervir na venda da moeda americana, o Banco Central não conseguiu segurar uma nova alta no pregão desta segunda-feira (14). O dólar comercial acabou fechando o dia cotado R$ 3,628, uma alta de 0,73%. Trata-se do maior valor desde abril de 2016, quando a moeda chegou a valer R$ 3,693, o valor mais alto registrado nos últimos dois anos segundo o BC.

A preocupação se concretizou na terça-feira, quando o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, em uma reunião com o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Raimundo Carreiro, se pronunciou sobre o assunto. Guardia adiantou que o motivo da elevação do câmbio são assuntos externos. “Vejo como uma tendência internacional de fortalecimento do dólar. Se nós olharmos para os países emergentes ou para as principais moedas, elas estão se desvalorizando vis-à-vis o dólar”, destacou o ministro.

Para o economista e professor da Universidade de Passo Fundo, Julcemar Bruno Zilli, a expectativa da alta de juros anunciada pelo governo de Donald Trump está gerando uma grande movimentação financeira na cotação cambial. “O mercado de uma forma geral, com esta possibilidade dos Estados Unidos aumentou essa taxa de juros, muitos investidores, principalmente os mais especuladores, pegam dinheiro dos países emergentes, com maior risco de investimento como é o caso do Brasil, e levam para os EUA”, explicou.

O titular da pasta da Fazenda afirmou que já tem sua estratégia: “A melhor resposta do governo é persistir trabalhando no processo de consolidação fiscal, aumentar a produtividade, reduzir custos para tornar a economia brasileira mais eficiente. Temos um cenário de contas externas muito favorável, temos reservas internacionais, temos um pequeno déficit em transações correntes, que é amplamente financiável pelos investimentos diretos estrangeiros, a inflação está baixa, um processo de redução da taxa de juros”, disse Guardia. Já para Zilli, a tendência é que os investimentos migrem para o norte. “Esse comportamento é pelo componente risco, pois aqui é muito mais arriscado deixar dinheiro investido do que lá nos EUA. Eles preferem uma segurança”.

Para o economista e cientista político Ginez de Campos, o governo federal terá de se mobilizar para conter a alta do dólar: “Provavelmente na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) no dia 16 de maio, o governo vai anunciar um novo corte da Taxa Selic. Desta, vez a previsão é  que o juro básico deva ser reduzido em 0,25 ponto percentual. A taxa de juros básica deverá ficar em 6,25% ao ano”, projetou.

 

A influência do cenário político nacional

Zilli reitera que existem fatores internos que influenciam na cotação da moeda, como aconteceu no passado em períodos de eleições. “Nós temos também um pequeno percentual nesse valor que está relacionado com a insegurança política, as pesquisas eleitorais, mas isso ainda não está bem claro. Essa influência vai aparecer quando nós tivermos os presidenciáveis bem definidos, o que ocorrerá nos próximos meses, e então a partir desse momento, aí pode ser que nós tenhamos efeitos na taxa de câmbio proveniente dos resultados das pesquisas. Nós tivemos isso em 2002 com o Lula, em 2010 com a Dilma, em 2014 novamente com ela, nesses momentos a cotação cambial subia, mas não eram questões externas, era insegurança interna sobre o que o eleito faria”, relembra o economista, que defende porém que desta vez o cenário brasileiro não seja o principal responsável pela alta no dólar. “Hoje, nós estamos com um comportamento diferente, principalmente pelo setor externo, a política Trump, que está influenciando na cotação do dólar”.

Segundo Ginez de Campos, a corrida eleitoral tem importância mesmo com a indefinição dos candidatos, pois o país não tem estrutura política para amenizar a instabilidade do câmbio. “O quadro de turbulência do atual cenário político, consequência do envolvimento de quase todos os partidos políticos em escândalos de corrupção, transforma o futuro do processo eleitoral num quadro de incertezas e especulações. O resultado é que estas incertezas políticas criam um cenário econômico de muita volatilidade o que poderá ter implicações na taxa de câmbio. Tudo isto é agravado em função do péssimo cenário fiscal e da falta de medidas concretas que diminuam a vulnerabilidade das nossas contas públicas”, explanou Campos.

Ginez indica que as possibilidades atuais podem alterar o câmbio e a confiança do investidor. “Uma candidatura mais alinhada ao mercado poderá melhorar a relação com os investidores internacionais, no entanto, qualquer candidatura populista que desconsidere a necessidade urgente de reformas que diminuam o tamanho do Estado e que reduzam a nossa gigantesca dívida pública poderá tornar o cenário mais volátil e afetar a moeda americana”.

Julcemar Zilli formula sua opinião baseada nos candidatos apresentados pela CNT (Confederação Nacional do Transporte) em uma pesquisa divulgada essa semana. “Na minha projeção, com a saída do Lula do pleito, me parece que Bolsonaro perde um pouco de força política, pois com a presença do petista, ele receberia muitos votos de protesto, e sem o ex-presidente, ele teria uma queda nas intenções de voto, e isso já começou a se perceber: mesmo ele liderando, o seu percentual começou a diminuir”, opinou. Zilli também acredita que um candidato alinhado ao mercado pode estreitar as políticas com o cenário externo. “O Meirelles (MDB) provavelmente deve aparecer forte, vai depender de como ele vai se colocar, de presidente ou de vice. E o mercado gosta muito dele, por tudo que fez tanto na época do Lula, quanto na época da Dilma. E o mercado está esperando, caso ele assumir a candidatura, o mercado pode reagir de uma maneira boa, no sentido da cotação cambial começar a cair”.

Ginez assegura que os fatores internos inevitavelmente terão forte impacto. “A nossa corrupção pluripartidária, tem afetado em muito a credibilidade da nossa classe política. Portanto, o cenário político interno, em função do futuro processo eleitoral, de certa forma cria um cenário pulverizado de candidaturas, que por sua vez gera incertezas políticas de quem poderá de fato conduzir a economia do país rumo a um porto mais seguro de estabilidade e crescimento econômico. Sendo assim, o valor da moeda nacional frente ao dólar continuará sendo influenciado muito mais pelo que acontece no Brasil do que no exterior”, apontou.

“Com esta possibilidade dos Estados Unidos aumentou essa taxa de juros, muitos investidores, principalmente os mais especuladores, pegam dinheiro dos países emergentes, com maior risco de investimento como é o caso do Brasil, e levam para os EUA”, Julcemar Zilli, Economista

A estratégia das empresas regionais frente a variação cambial

Com a moeda americana valendo mais frente ao Real produtos das indústrias brasileiras ficam mais competitivos em outros países.

Embora a desvalorização do Real frente ao Dólar possa ser interessante para as indústrias no que tange às exportações, os reflexos positivos da variação cambial só devem ser notados pelas indústrias no país se a valorização tiver duração de médio e longo prazo. A curto prazo, o impacto que se verifica é o aumento dos custos de produção, principalmente quando se utiliza de matéria-prima  importada na fabricação dos produtos.

O diretor da BBS Industrial, Fernando Biazus, revela que por ora para empresa o aumento na cotação da moeda americana fez com que os custos aumentassem cerca de 15% nos últimos 90 dias. “Hoje importamos matérias-primas dos EUA, Europa e Ásia, estamos sendo impactados no aumento dos custos em virtude da desvalorização cambial principalmente do Dólar”, diz o diretor da empresa, localizada em Carazinho.

O empresário explica que a matéria-prima que importa é utilizada na vedação dos cilindros, que é segundo o empresário, um dos principais fatores que implica na vida útil do equipamento. Biazus destaca que a opção pela importação de tais materiais se dá pela qualidade destes, e mesmo que algumas das marcas adquiridas tenham distribuição no Brasil, dado o volume de compras que a indústria mantém, ainda consegue importar a preços menores do que se os adquirisse da representação brasileira.

Mesmo com a condição momentânea, o empresário vê com boas perspectivas a valorização do Dólar frente ao Real pois em seu ponto de vista a médio e longo prazo a moeda americana acima da faixa de R$ 3,60 aumenta a competitividade da indústria brasileira fazendo certo equilíbrio ao que comumente é chamado de custo Brasil.

O empresário comenta que, embora por um lado empresa esteja com custos maiores dados aos itens importados, por outro tem a sinalização de empresas para quem fornece seus produtos de que estas têm ampliado seus contratos de exportação e, por consequência, a indústria em Carazinho também deve aumentar seu volume de produção.

Biazus também pondera que outro fator que se percebe é que o aumento da cotação do Dólar pode internamente afetar positivamente o preço da cotação da soja, o que é do interesse das indústrias de máquinas agrícolas das quais parte dos produtos são equipados com cilindros. O empresário revela que do ano de 2016 para 2017 o faturamento da indústria cresceu 40% e que indicadores mês a mês deste ano indicam crescimento igual ou superior a 40% em 2018.

Por que é difícil aproveitar o momento da alta Dólar?

O Diretor da BBS Industrial comenta que hoje a empresa não está fazendo exportações diretas, porém, os cilindros hidráulicos fabricados pela indústria equipam máquinas que tem sido exportadas por diversos clientes. Biazus confirma no entanto que a indústria tem pretensões de fazer exportação direta e tem prospecções de clientes em pelo menos dois continentes. “Estamos com esse objetivo, mas exportar cilindros hidráulicos demanda tempo, por se tratar de um produto com muitas qualificações técnicas, ou seja, cada cliente tem um projeto e necessidades específicas”, diz.

O empresário revela que tem prospecções com empresas do México, Itália e França, porém, explica que as transações primeiro se iniciam com um projeto de engenharia, depois seguem para os orçamentos, a fabricação de amostras e negociações. Considerando todas as etapas das transações com grandes empresas para a formalização de um acordo comercial, leva-se de dois a três anos. Negociações que são consideradas rápidas acontecem em tempo não inferior a um ano, e nestes casos geralmente com países emergentes, também por isso que no caso da indústria o reflexo positivo da alta do Dólar deve ser percebido caso a moeda americana se mantenha em tais preços por um período mais longo.

Empresa de Carazinho foca no mercado americano e Ilhas do Caribe

Paulo César Löf, proprietário da BioSuprem, empresa de Carazinho que é especializada na produção de alimentos para pássaros, revela que a empresa está em desenvolvimento de produtos com foco em mercados de estados ao Sul dos Estados Unidos da América (EUA) e Ilhas do Caribe. “A visão de mercado destes locais é diferente da nossa, para eles, desde que observadas as normas de qualidade da fabricação dos produtos, o que importa é que as empresas deles vendam e gerem resultados, diferente do Mercosul, onde ficam se criando entraves e se tem a visão de competição entre as indústrias”,  comenta Löf.

O empresário revela que há meses tem negociações com clientes em potencial da Argentina e Uruguai, porém, segundo ele, a cada a vez uma nova condição via normativas e normas técnicas acabam sendo impostas pelos países do Mercosul, o que dificulta a efetivação dos negócios, diferente do que acontece com os EUA.

O produto em desenvolvimento deve ser destinado a pássaros do grupo psitacídeos, que são classificados como sendo as aves de bico torto como araras e papagaios, o produto deve ter apelo tropical e a ideia é de que esteja pronto para a exportação até o primeiro semestre do próximo ano. O empresário explica que após as primeiras sondagens de mercado que levaram ao desenvolvimento do produto, com este pronto, se iniciam então as negociações diretas com empresas e clientes interessados para fixação de acordos, transações que levam alguns meses para serem concluídas.

O empresário explica que dado ao tempo que se leva para a efetivação dos negócios internacionais, tanto para quem importa quanto a quem exporta, a estabilização da moeda é interessante. Löf considera que um preço adequado seria a cotação do dólar mantendo-se entre R$ 3,40 e R$ 3,50. Ele explica que quando se faz uma venda internacional, o preço do produto considera o valor da cotação do Dólar no dia em que o acordo foi firmado, e neste caso a variação cambial é um risco de ganho ou de perda para os dois lados.

O impacto da variação cambial na fabricação a curto prazo

O empresário explica que para a formulação dos alimentos, parte da matéria-prima usada pela fabricação é importada, principalmente da Europa, algo entre 15% e 20% dos componentes. Segundo Löf, até então o impacto da variação cambial tem sido absorvido pelo fornecedor que ainda não alterou os preços, porém mantendo-se a alta do Dólar o repasse deve acontecer. Löf explica, no entanto, que quando o repasse da variação cambial sobre a matéria-prima ocorre, mesmo que mais tarde a moeda venha a desvalorizar, as experiências mostram que é pouco provável que os preços praticados retornem a indicadores iguais ou semelhantes aos que eram praticados antes da variação.

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