Diário da Manhã

Saúde

A dor da espera

Autor: Matheus Moraes
A dor da espera
Foto: Matheus Moraes / DM

Casos registrados no município demonstram grande demora para realização de atendimentos terapêuticos. De acordo com Secretaria Municipal de Saúde, a demanda é de 400 pessoas por semana, enquanto Estado disponibiliza 180 consultas

Mais de um ano. Esse é o tempo que Rosângela Ribas aguarda por uma consulta especializada e atendimento fisioterapêutico em Passo Fundo. Com artrite e inflamação entre os ossos, a passo-fundense reclama do descaso em que foi submetida desde que um médico particular a encaminhou para um ortopedista. “Fui encaminhada, mas nunca me chamaram. É uma vergonha. Essa demora existe e quem vai sofrendo somos nós”, declara.

Além do período de espera para ser atendida, Rosângela demonstra insatisfação com a não renovação de convênio entre governo estadual e o Pronto Socorro de Fraturas (PSF), que ocorreu em julho de 2015. Além, do PSF, o IOT também atendia esses pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “Os atendimentos eram realizados no Pronto Socorro, no IOT, que também atendia o SUS. Isso foi cortado. Não tem mais. Agora superlota as emergências dos hospitais. Você leva laudo e cansa de esperar, porque não tem data prevista para atendimento. É complicada a situação de quem depende do SUS. Quem tem dinheiro, faz consulta, é atendido e passa na frente”, desabafa.

O que Rosângela não esperava era perder o emprego em função do problema nas juntas, que ainda não foi tratado. Segundo ela, a demissão inesperada ocorreu porque não conseguia prestar os serviços da melhor maneira. “Na época, meu chefe não disse que era por isso. Mas eu sei que sim. Fui demitida por causa da artrite”, revela. Assim como ela, as limitações em razão das dores também são decorrentes para Hugo Kochenborger da Rosa. No aguardo de uma consulta há oito meses, o radialista detém necrose avascular da cabeça femoral e atualmente só consegue se locomover com a utilização de muletas. O problema, para ele, não o afeta no trabalho em razão de que trabalha sentado. “Tenho essa sorte. Se tivesse que trabalhar caminhando, não sei como seria”, resume.

Ele é mais um que espera por um atendimento no SUS para conseguir entrar na fila para cirurgia, no valor de R$ 25 mil, o qual garante não  possuir condições de arcar com o custo. “O SUS obriga que você seja consultado por um médico cadastrado no sistema deles para que seja feita a cirurgia. Procurei auxílio particular porque não havia mais jeito. Não poderia esperar. Mas preciso da consulta no SUS para conseguir a cirurgia”, reitera. Logo que percebeu as dores, Kochenborger se cadastrou no extinto PSF e aguardava ser chamado. Contudo, após o fechamento, ele descobriu que os documentos do local haviam sido perdidos e que ficaria sem consulta caso não se informasse. “Entrei em contato e me disseram que havia sido excluído todos os cadastros dos pacientes que tinha no Pronto Socorro. Voltei a estaca zero nesse momento. Crente que estava na fila, mas não estava”, conta.

Com extenso tempo de espera, ele conta que a situação se agravou. Hoje de muletas, ele admite já ter apresentado sintomas de depressão. “É algo que te causa uma certa depressão. Você se sente refém do sistema. As pessoas não sentem e não entendem as circunstâncias que passam os pacientes. Você querer ficar bom e trabalhar normalmente. É algo que você contribui mensalmente, mas não tem o devido retorno”, lamenta.

O município passou a acolher os atendimentos fisioterapêuticos na metade do ano passado, aproximadamente um ano após o Estado encerrar o contrato com o PSF. O secretário municipal de Saúde, Luiz Artur Rosa Filho, reitera, no entanto, que a demanda é superior da abertura de consultas disponibilizadas pelo Estado e encaminhadas pelo município. “Nós temos uma demanda de cerca de 400 consultas ortopédicas por mês, mas o Estado oferece 180. Esse é o grande problema. Algumas subespecialidades de ortopedia nós temos fila de espera há mais de um ano”, afirma.

Segundo Luiz Artur, casos específicos como os dois citados nesta reportagem podem ser esclarecidos pessoalmente na Secretaria Municipal de Saúde. Ele relata que, em alguns casos, não há atualização de cadastro, o que faz com que aconteça uma falha na comunicação entre o serviço e o interessado. “Muitas vezes acontece do paciente não atender, trocar de número. Para resolver problemas como esse, é bom que as pessoas entrem em contato com a gente, para que possamos resolver aqui”, pontua. De acordo com ele, as maiores demanda das filas são de problemas de coluna e joelho.  “São as maiores demandas, com muitos atendimentos. Hoje o Hospital da Cidade que assumiu as consultas, mas a oferta ainda é insuficiente”, salienta.

A reportagem do Jornal Diário da Manhã tentou contato com a 6a Coordenadoria Regional de Saúde (CRS) até o fechamento dessa edição, mas não teve êxito para respostas a respeito do tempo de espera e da realidade dos atendimentos terapêuticos.

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